1 de abr de 2008

Resenha do livro: A Arte Rupestre no Brasil de Maria Dulce Gaspar (imagens de Alenquer no Pará)

O texto analisado coloca em cheque a arte situada nas sociedades concebidas como “simples”, resgatando pesquisas sobre arte rupestre realizadas no Brasil, que se apresentam com mais relevância, e contribuição, favorecendo a confecção de um quadro de tradições sobre estes grafismos, encontrados em todo território brasileiro.
A autora, na construção do texto de 83 paginas, recorre a linguagem em primeira pessoa e, divide-o em tópicos.
O primeiro, A arte nas sociedades simples, caracteriza as simples como as que todos são participantes nas formas e processos de produção o que ao contrário nas complexas há uma hierarquização social, onde alguns gozam de privilégios e outros não. Dessa forma a arte na sociedade mais simples reflete a vida comum, o cotidiano. Depois em Diferentes formas de perceber a arte rupestre, descreve como esta é concebida longo da história. No tópico breve histórico do estudo da ate rupestre no Brasil, mostra as linhas de interpretação na intensão de conhecer como os pré-históricos pensavam, comportavam-se e quais as intenções na produção desta arte. Os primeiros artistas tenta situar em que ano estes grafismos são produzidos, e por quem. Na caracterização e distribuição espacial dos grafismos brasileiros há uma distinção de tradições onde são situadas em variadas regiões, em todo o território brasileiro. Continuando tópico estudo dos grafismos através do tempo demonstra como se estuda a sucessão dos grafismos, as várias formas de se obter informações e data sobre os mesmos como por exemplo pela análise do carbono 14 e associação de elementos no esmo sitio ou não, bem como a própria evolução desses grafismos rupestres. Por fim apresenta na Contextualização dos grafismos por associação com vestígios de solo situações em que pela escavação, os objetos encontrados sugerem um determinado contexto, de costumes e práticas de um povo.
O livro, nesta opinião, é mal dividido no que se refere a disposição em tópicos e pela ordem que foram organizados. De outra forma, o formato em que é confeccionado (tamanho), estimula o leitor a pesar de que, pelo mesmo motivo exige de quem lê aprofundar-se em outras fontes.
Ressalta-se que, o tópico Caracterização e distribuição espacial dos grafismos brasileiros contribui não só de forma ilustrativa, mas também proporcionando uma visão ampla de como está disposto as tradições rupestres no Brasil caracterizando cada uma, com suas especificidades e peculiaridades.
O conteúdo apresentado nesta obra é marcada por uma linguagem simples e clara embora haja reunião densa de informações variadas dentro do universo arqueológico, mais especificamente sobre os grafismos rupestres, que é de fato o objetivo desse trabalho. Por isso verifica-se um texto direcionado ao público leigo na área, no intuito informativo a favorecer uma possível aproximação com temas que aparentemente se apresentam distantes.

Autor (a) do Livro
Madu Gaspar formou-se em ciências sociais (UFF); mestrado em antropologia social pelo Museu Nacional (UFRJ); doutorado em arqueologia (USP) e pós pela universidade do Arizona (EUA). Além de professora e autora de outros livros como Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro, Garotas de programa etc. e em penha-se em pesquisas em arqueologia no Brasil.

Autor da Resenha
José Cardoso Simões Neto, graduando em Filosofia, pela Faculdade Pan Americana (FPA) e História, pela Faculdade Integrada Brasil Amazônia (FIBRA).
Obs: As imagens originárias de Alenquer, foram tiradas do livro: Fonte: EDITH PEREIRA, ARTE RUPESTRE NA AMAZÔNIA. Editora Unesp.

Críticas realizadas pelos pensadores do século XX à História “Ran Keana” e as bases metodológicas da 1ª geração do “Annales”.

Contrapondo o pensamento tradicional de abordagem histórica, encontramos Durkheim e Simiand, no qual o ultimo traça uma crítica sobre o que vai chamar de “os ídolos da tribo dos historiadores” e o primeiro desprezando os historiadores de sua época com observações contundentes.
Esta crítica consistiria na abordagem baseada nos “grandes” acontecimentos como guerras, fatos políticos marcantes, a preleção às “figuras” julgadas como importantes e assim perpetuadas historicamente e etc. Enquanto Durkheim pensava que a ênfase nos acontecimentos particulares individualizados, assim como uma História fundada neles, consistiria uma atitude ingênua, pois, os considerava superficiais e sem consistência necessária.
Outros pensadores também realizaram críticas a este método, principalmente a “escola dos Annales” a qual sua forma de abordagem muda consideravelmente. Esta mudança, pode-se ver nas bases da 1ª geração da escola.
Assim a influencia Marxista é perceptível, mas antes, esta base é construída por influencia interdisciplinares da Geografia por parte de Febvre e da Sociologia com Bloch, cada um demonstrando em seus trabalhos as ligações com outros teóricos, porém, ambos buscavam uma história das estruturas sociais e econômicas tendo sempre como foco a problematização historiográfica, percebendo a História como problema o que notavelmente se observa nos trabalhos atuais que evidentemente sofrem ainda esta influencia de abordagem da escola dos Annales.

Autor: José Cardoso Simões Neto