28 de fev de 2011

BENEDITO NUNES:"EQUIVALE A HEIDEGGER...HEGEL E KARL MARX...


Neste dia 27 o Brasil e o Mundo sofre com o falecimento de Benedito Nunes e com a perda irreparável ao universo do pensamento Filosófico, literário e humano...(Prof. José Cardoso Simões Neto)

Nesse sentido, Edimilson Rodriguês deputado pelo PSOL, bem colocou e resume de certa forma o nível dessa perda...
“Benedito Nunes compõe um grupo seleto de pensadores contemporâneos da humanidade e sua importância equivale a de Martin Heidegger, Edgar Morín, Hegel e Karl Marx, cada um ao seu tempo”. E ainda: “Ele – Benedito - é um dos mais importantes críticos literários contemporâneos, de forma que sua morte significa uma perda irreparável para todos nós”, disse.
Foto: Portal UFPA.

BENEDITO NUNES: LUTO OFICIAL NO PARÁ

Da Redação
Agência Pará de Notícias

Paraenses se despediram do filósofo Benedito Nunes, que foi cremado na manhã desta segunda-feira, 28.
O governador Simão Jatene decretou, nesta segunda-feira (28), luto oficial de três dias em sinal de pesar pela morte do escritor e filósofo paraense Benedito Nunes, ocorrida no último domingo (27). O chefe do Executivo Estadual participou, na manhã desta segunda, na Igreja de Santo Alexandre, da missa de corpo presente que reuniu familiares e amigos do mestre, morto após parada cardíaca decorrente de complicações renais.

A celebração na igreja aconteceu ao som da "Sonata ao Luar", de Beethoven. Após a missa, houve a cerimônia do adeus, que foi reservada aos familiares. Ainda na manhã desta segunda-feira, o corpo de Benedito Nunes foi cremado, conforme era seu desejo, em cerimônia em um cemitério particular em Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB).

Ao saber da notícia da morte de Benedito Nunes, o governador Simão Jatene lembrou a contribuição do escritor para a cultura e pensamento brasileiros. "Em nome de todos os paraenses, agradeço a inestimável contribuição do mestre Benedito José Nunes à cultura do país. A sua dedicação como escritor, crítico de arte, filósofo e professor é irretocável", disse.

"Mais ainda, sua grandeza como paraense se revelou quando recebeu convites irrecusáveis para trabalhar em outros centros, no Brasil e no exterior, mas escolheu o Pará como destino e lugar para viver e construir a sua vasta e admirável trajetória intelectual. O Pará, reconhecido, saberá honrar a sua memória", continuou o governador.

Para o secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves Fernandes, o Pará perde um sábio, um exponencial da cultura. "Uma perda considerável. Estamos tristes, órfãos da luminosidade que ele irradiava, mas que vai continuar por meio de sua extensa obra, que irá servir como exemplo, como modelo, não só na área específica da cultura, como em outras áreas do pensamento", disse o secretário.

FONTE: Portal do Pará

BENEDITO NUNES MORRE AOS 81 ANOS



Breve Histórico de sua vida

Faleceu, na manhã deste domingo (27), Benedito Nunes, professor, filósofo, crítico e ensaísta paraense de renome nacional. Internado às 20h na noite deste sábado (26), na unidade cardiológica do Hospital Beneficente Portuguesa em Belém, o professor morreu por volta das 10h45 de hoje.
O corpo de Benedito Nunes será encaminhado para a Igreja de Santo Alexandre, onde será velado no final da tarde deste domingo. Nesta segunda-feira (28), haverá uma missa, de corpo presente, homenageando o filósofo na mesma igreja.
Paulo Chaves, secretário de cultura lamentou sobre a morte de Benedito. 'Estamos todos muito abalados com a perda do Benedito. Além da saudade do amigo, fica o exemplo do intelectual impecável, do ensaísta rigoroso e do professor generoso de tantas gerações. É uma perda enorme!', lamenta.


Sobre o filósofo

Benedito José Viana da Costa Nunes, nasceu em Belém do Pará no dia 21 de novembro de 1929. Eterno aprendiz e um autodidata, como se considera, Benedito define seu trabalho como “um tipo mestiço das duas espécies, a filosofia e a literatura”. Professor, filósofo, crítico e ensaísta, especializou-se em analisar obras de grandes escritores como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa dentre outros.
Fez Mestrado na Sorbonne, em Paris e foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do Pará e do Norte Teatro-Escola. Este último juntamente com a esposa Maria Sylvia Nunes e a cunhada Angelita Silva. Publicou grande número de artigos e resenhas em jornais regionais e de circulação nacional sobre filosofia e manifestações da cultura popular e erudita.
Entre os trabalhos destacam-se: encenação de Morte e Vida Severina, no 1º Festival Nacional de Teatro Amador (1958), no Recife, o que lhe valeu o prêmio de melhor adaptação teatral; O Mundo de Clarice Lispector (1966); Poesia de Mário Faustino (1966); Farias Brito: Trovas Escolhidas (1967); O Dorso do Tigre (1969); Leitura de Clarice Lispector (1973); Oswald Canibal (1978); O Livro do Seminário (1983); Passagem para o Poético: Filosofia e Poesia em Heidegger (1986); O Tempo na Narrativa (1988); A Paixão Segundo GH/ Clarice Lispector (1988); O Drama da Linguagem: uma Leitura de Clarice Lispector (1989); O Crivo de Papel (1999) e Hermenêutica e Poesia — O Pensamento Poético (1999).

Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia do estado, onde ensinou Ética e História da Filosofia, de 1954 a 1960. No ano seguinte, foi contratado pela Universidade Federal do Pará, para a qual elaborou o projeto de criação do Curso de Filosofia, inaugurado em 1975. Em 1998, Bendito Nunes recebeu o título de Professor Emérito da UFPA, ano em que ganhou o Prêmio Multicultural Estadão.
Benedito Nunes é especialista em analisar obras de escritores renomados, como Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa e Fernando Pessoa. O autor se intitula como um autodidata e eterno aprendiz, sempre em busca de novos olhares.

Depoimentos

“É sempre lamentável quando um grande brasileiro da importância de Benedito Nunes nos deixa”. E ressaltou: “o legado de um homem que dedicou sua vida toda a produzir conhecimento que avançassem o desenvolvimento humano do nosso povo é merecedor de toda homenagem e o que tenho a dizer é muito obrigada”, disse consternada.” disse a Senadora Marinor Brito - PSOL/PA

Benilton Cruz disse "Quem vai esquecer aquela voz pausada, aquelas frases preocupadas em exprimir o pensamento adequado ao objeto de sua análise, quem o escutou palestrando ou em suas aulas ganhou para sempre um exemplo de intelectual, pensador e admirador da poesia. Seus livros, sempre bem analíticos, impossível não lê-los. Mas nunca vou esquecer de suas caminhadas pela 25 de setembro, seus passeios despreocupados pela sua e sempre sua "Travessa da Estrela". Descase em paz, Mestre."

Aldrin Figueiredo, escritor e amigo de Nunes, conta que teve o privilégio de ter escrito um texto em parceira com ele, e que fez o prefácio de uma de suas obras, "Luzes e Sombras do Iluminismo no Pará", escrito em 2004, com Milton Hatoum.

Nunes era crítico literário e de arte, e sua primeira análise foi sobre as obras da escritora Clarice Lispector. "Desse estudo foram criados dois livros, 'O Mundo de Clarice Lispector' e o 'Drama da Linguagem', onde se observa uma análise fenomenológica e existencialista", explica Aldrin.

Ele conta que as obras foram elogiadas por Clarice que se tornou amiga do autor.

Amarilis Tupiassu, professora de Letras da Universidade Federal do Pará e da Universidade da Amazônia, afirma que Nunes estava sempre de bom humor, e uma de suas últimas brincadeiras foi dizer que, quando saísse do hospital, a primeira coisa que iria fazer seria comer um pastel.

"Benê sempre foi brincalhão até nessa situação ele fez piada." Ela lembra que quando ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa, homenagem feita aos professores eméritos, ela fez a saudação.

O deputado Edmilson Rodrigues (PSOL) disse que: “Benedito Nunes compõe um grupo seleto de pensadores contemporâneos da humanidade e sua importância equivale a de Martin Heidegger, Edgar Morín, Hegel e Karl Marx, cada um ao seu tempo”. E ainda: “Ele – Benedito - é um dos mais importantes críticos literários contemporâneos, de forma que sua morte significa uma perda irreparável para todos nós”, disse.

Fonte: Portal UFPA; Folha on-line; Estadão;Portal do Governo do Estado do Pará;Portal ORM; Diário On-line