27 de jun de 2007

O filme “Clube do Imperador” e a “ relação Professor / Aluno no processo Ensino e Aprendizagem”

O filme “Clube do imperador” se passa numa escola freqüentada pela elite americana, onde o professor William Hundert é reconhecido por suas belas instruções em sala de aula. Tudo sempre correu bem até o dia em que professor se depara com o arrogante Sedgewick Bell, filho de um pai importante na política do país. Diante desta aluno o professor busca a mudança do caráter do mesmo e ganhar sua confiança, convencendo-o de que ele era capaz. Para isso, ele até trapaceou na classificação do famoso jogo "Júlio César", que consistia numa competição na qual só os três melhores alunos da escola podiam participar da grande final e apenas um participante ganhava os louros da vitória.

O professor passou Sedgewick na frente de outro candidato, com esperança de se surpreender e perceber que conseguira mudar o caráter de dele e que este conseguiria vencer o jogo por seus próprios méritos. Mas é aí que o professor se engana, descobrindo no futuro que dar “asas a quem não quer voar” é missão destinada ao fracasso e frustração.

Em sumo, o filme nos mostra que a história de um bom educador se prolonga e se imortaliza nas muitas vidas por ele conduzidas no caminho da aprendizagem, salientando sabiamente que a demanda de alunos arrogantes sempre existirá, porém, a esperança na educação deve persistir. Assim fica o conselho de Aristófanes citado num dos empolgantes diálogos do filme: "A juventude envelhece, a imaturidade é superada, a ignorância pode ser educada e a embriaguez passa, mas a estupidez dura para sempre."
Naquela escola de tradicional não havia avançado para os verdadeiros valores de uma sociedade moderna, onde todos tinham que seguir os mesmos padrões. Ser o "Julio César" no jogo dentro da escola, era o “céu” apenas para um aluno, na qual sua foto iria permanecer eternamente na parede. Era o individual sobressaindo do coletivo। Isso acontece quando na verdade o verdadeiro sentido do jogo deveria ser a ética.

No entanto, para o filme esta era esquecida quando os seus “próprios” valores eram colocados como prioridade. Uma boa educação como um bom educador na prática, não gira em torno de regras rígidas e nem com a preocupação desvairada com a absolvição de informações como se o aluno fosse apenas um recipiente, passivo e sim valores determinantes para um progresso de uma sociedade, pois todos os modelos de educadores como as estruturas de educação deixam rastros e marcas no intimo de cada aluno, seja para o bem como para o mal, podendo facilitar ou dificultar a aprendizagem do aluno.

Todos, segundo Paulo Freire, devem ter a consciência da importância da escola e do educador na formação de cidadãos conscientes de suas responsabilidades sociais. Especificamente na situação do professor Hundert, o fato de ter dado uma oportunidade a um aluno desacreditado e arrogante na esperança de uma mudança pode até parecer correta, porém se analisarmos que implica numa negligenciação de uma atitude ética, no momento em que nega ao verdadeiro vencedor, o seu prêmio, incorre em erro, pois outras formas poderiam ser adotadas sem o comprometimento de outros.

Mas, ao mesmo tempo em que o filme evidencia concretamente essa realidade bom como a valorização de uma gloria individual (o vencedor), ele mostra que educar é ampliar horizontes, redefinir metas, aguçar a sensibilidade, e não simplesmente obter um diploma.

Educação de nada serve se não puder ser revertida em crescimento, em desenvolvimento pessoal e coletivo, pois o educador na medida do possível, para Freire, deve educar para as mudanças, buscar a autonomia e a liberdade trabalhando sempre o lado positivo dos alunos a fim de promover, ou melhor, aguçar suas capacidades de aprendizagem e propiciando uma formação cidadã consciente, como ora citado acima, de suas responsabilidades enquanto um ser social educando e educador ao mesmo tempo.
(Autor: José Cardoso Simões Neto)

13 de jun de 2007

As Possibilidades do conhecimento em Immanuel Kant


Kant analisando o racionalismo o qual fazia parte, percebeu (depois de ter despertado de um dogmatismo racionalista, por Hume) que muita ênfase foi dado aos aspectos constituintes a priori do conhecimento e que este provinha somente da razão e por tanto a priori. E ao contrário, que o próprio Hume havia ido muito longe ao concluir que todo o conhecimento tinha como fonte a experiência e por tanto a posteriori.
Ele (Kant) chaga a concluir a necessidade de analisar o conhecimento a ponto de traçar o quanto podemos conhecer pois por um lado afirmava-se verdades sobre a alma, deus etc. e por outro de que o objeto do conhecimento é quem determinava sobre o sujeito, o que ele deveria conhecer.
Rompe então com a tradição e instaura uma proposta desafiadora o qual tinha como pretensão resolver o problema do conhecimento científico demonstrando suas possibilidades a partir do juízo sintético a priori no qual se revela o sujeito pensante não mais como passivo, receptivo somente, mas como ativo, capaz de inferir sobre o objeto. Desta forma, por um lado nega a metafísica e por outro demonstra a validade da ciência.
É nesta inversão de “papeis” do sujeito e do objeto que Kant se aproxima do feito de Copérnico – em relação a teoria Heliocêntrica que negava a terra como o centro do universo (teocentrismo) afirmando que os astros é que giravam em torno do sol.
Assim o sujeito que é ativo impõe sobre o objeto as formas a priori da sensibilidade de tempo e espaço que possibilitam organização destas informações (percebidas na observação) pelo entendimento que condicionam conhecer o objeto, mas tão somente como ele se mostra, isto é, o fenômeno – impossibilidade de se conhecer as coisas em si mesmas)
Nestas condições, o conhecimento sintético, pode tomar aspecto a priori a partir de quando a experiência leva o sujeito conhecedor a formular leis sobre o objeto e estas ao serem aceitas como verdade e com universalidade tornam – se independentes da experiência e por tanto a priori.
Segue exemplo: 47 + 47 = 94

Nesta operação a sua estrutura é necessária para se obter o resultado e universal, pois quarenta e quatro mais quarenta e quatro são noventa e quatro, tanto hoje, como ontem e amanhã, e em qualquer lugar e sob quaisquer condições ao mesmo tempo para obtermos o resultado, recorremos a algum artifício como calculadora, caneta e papel etc. (talvez não nesta pois é simples, mas em uma outra mais complexa, com certeza os utilizaremos).
Demonstrado o processo de construção do juízo sintético a priori, fica claro que a nossa capacidade de conhecer está condicionada ao tempo e espaço o que torna viável o conhecimento verdadeiro-científico por meio desta relação sujeito-objeto e nada além pode ser conhecido fora desses esquemas próprios da constituição mental de cada sujeito.
(Autor: José Cardoso Simões Neto)
Referências

* KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Martin Claret,2003
* MONDIN, Batista. Curso de Filosofia. Vol. 2, ed.8º. Paulus,1982
* DURANT,Will. A História da Filosofia.ed.3º. Record,2000.
* ABBAGNANO,Nicola.Dicionário de Filosofia.Martins Fontes,2007.