26 de jul de 2007

INFERÊNCIA HISTÓRICA

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Quanto à inferência histórica discuti-se, a respeito das provas, serem compulsivas ou meramente permissivas. De certo, se compulsiva deve-se afirmar as premissas e também, obrigatoriamente, a conclusão; de outro, se permissiva a prova apenas autoriza o historiador a confirmar a conclusão caso ele deseje. No caso da história Cola e Tesoura somente a permissiva pode ser conhecida.


Diante disso, o historiador desse modelo depara-se com o problema de aceitar ou negar parte de um argumento. A este problema existe uma forma de se resolver que é pela crítica histórica, na qual se a conclusão é negativa, o historiador fica impedido de aceitá-la, pois não merece crédito. Por outro lado, caso positiva (aparentemente) ficaria isento de falsidade.


Entretanto, pode ser falsa, justamente pelo fator interpretativo, que está sujeito todo historiador, pesquisador, etc., pois a validade depende da interpretação que se vai fazer de determinado fato ou documento.


Por esses impasses e problemas, falou-se que “a história não é uma ciência exata”, pelo argumento de não justificar as conclusões pelas suas provas e ser incapaz de gerar certeza, apenas probabilidade, já que tratava de acontecimentos únicos e irrepetíveis, não passíveis à lei.


Estes argumentos não eram de um todo sem fundamento, tendo em vista que se encaixavam, como ainda hoje, ao modelo Cola e Tesoura. Historiadores da nova geração afirmaram ser essa concepção inválida, pois tinham argumentos que eram, sem dúvida, capazes de comprovar suas conclusões tanto quanto as demonstrações matemáticas. Prova disto é que, desde o materialismo histórico e da escola dos Annales, a investigação histórica deixou de analisar com exclusividade apenas os fatos singulares e passou a abarcar estruturas sociais, culturais e econômicas, que estão sujeitas a regularidade.


A inferência usada na história cientifica é compulsiva ou permissiva? As provas históricas, ao serem questionadas conduzem o historiador à verdade, sem deixar outra alternativa (caso esse realmente as questione), isto é, obrigado-o a confirmar a veracidade de suas conclusões e premissas. Sendo assim, pode-se afirmar que a inferência histórica é compulsiva, pois exige da investigação um exame minucioso e não passivo dos acontecimentos e documentos, não devendo apenas aceitá-los como verdadeiros.


“(...) A única maneira de saber se um dado tipo de argumentação é irrefutável ou não é aprender a argumentar dessa maneira e descobrir (...)” (COLINGWOOD, 1981).

(Texto de José Neto)

BIBLIOGRAFIA

COLINGWOOD, R. G. Provas históricas. In: A idéia de História. 5. ed. Lisboa: Ed. Presença 1981.

SILVA, K. V; SILVA, M. H. Dicionário de conceitos históricos. 2. ed. São Paulo: Contexto, 2006, p. 182-185.

* Imagem extraída de http://www.abaac.com.br/images/discurso1.jpg

1 de jul de 2007

Bento 16 critica China e pede respeito à Igreja Católica

*Atenção, no final tem uma Crítica pessoal
da France Presse, na Cidade do Vaticano

O Papa Bento 16 pediu às autoridades chinesas "o respeito a uma autêntica liberdade religiosa" e rejeitou a idéia de uma igreja submetida a Pequim e independente do Vaticano.

Em sua carta ao clero e aos católicos da China, divulgada neste sábado, o Papa se declarou aberto a negociações com o governo chinês, mas destacou que falta tempo e boa vontade de ambas as partes para alcançar a normalização das relações com a República Popular da China.

A Santa Sé e a China não mantêm relações diplomáticas desde 1951, quando o Vaticano reconheceu Taiwan.Na carta, que era esperada com muita expectativa, Bento 16 afirma que a Igreja "convida os fiéis a serem bons cidadãos, colaboradores respeitosos e ativos a favor do bem comum de seu país".

Bento 16 pede ainda à China a liberdade de nomear os bispos e destaca que a idéia de uma "Igreja independente" do Vaticano "é incompatível com a doutrina católica".

"A pretensão de certos organismos, criados pelo Estado e estranhos à estrutura da Igreja, de ficar acima dos bispos e de guiar a vida da comunidade não corresponde à doutrina da Igreja", disse.

"A China espera que o Vaticano adote uma atitude realista e não apresente novos obstáculos", afirma um comunicado do ministério chinês das Relações Exteriores, na primeira reação oficial de Pequim à carta papal.
(TEXTO RETIRADO INTEGRALMENTE DA FOLHA ON-LINE)
*Caros,
De certo, para o governo chinês não perder, ou melhor, não ver abalado seu poder instituido e consolidado, necessita de medidas que continuem a sustentá-lo. Ora, imaginem se derrepente, uma onda de comunidades eclesiais de base, por exemplo, invadisse as comunidades desse país, reivindicando os direitos do povo sofrido, oprimido por tantos seculos de ditadura e determinações. Fato é que até a liberdade de expressão é vedada, inclusive o google e o youtube tem restrições para funcionar, num âmbiente em que prevalece o pensamento do Governo e das autoridades.
Diante disso, vem a lembrança do jovem que ficou na frente dos carros tanques impedindo que avançassem...(tristeza). Todos os jovens dessa empreitada foram fusilados...(estou de luto!!)
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Caso "isolado" da USP...SERÁ ??!


Uma acusação de plágio que envolve artigos científicos assinados pelo diretor do IF (Instituto de Física), da Universidade de São Paulo, Alejandro Szanto de Toledo, abriu ontem uma crise entre os professores da entidade। A denúncia, que circula internamente entre um grupo de físicos desde abril, aponta entre os artigos plagiados dois trabalhos do professor Mahir Hussein, da própria USP, recém-aposentado।

Um artigo publicado pelo grupo de Szanto na revista "Physical Review C" está sendo investigado por plágio, e outro na "Nuclear Physics A", foi retratado (anulado). Um terceiro, na "Physics Letters B" é questionado por seus colegas.
As denúncias contra Szanto foram encaminhadas à Reitoria da USP। "Será montada uma comissão e tudo será apurado com todo o cuidado", disse à Folha Mayana Zatz, pró-reitora de Pesquisa. Ela descartou a hipótese de Szanto ser afastado temporariamente antes disso. "Não é o procedimento tomar uma atitude de cara."

Szanto reagiu ontem à acusação, reconhecendo "erros de referenciamento", mas dizendo que o artigo foi submetido para publicação sem seu conhecimento por outro integrante de seu grupo। Hussein rejeita a explicação: "Se isso não é plágio, então eu não sei o que é plágio", diz.

O diretor se diz perseguido। "Não sou o autor principal desse artigo, não sou o orientador do trabalho desse artigo, mas sou a pessoa visada", disse. "Tudo isso aqui é uma ação política, não tem nada de acadêmico."

Sua outra estratégia de defesa foi o ataque। Ontem, numa reunião de docentes do IF, Szanto apresentou em público trechos de um artigo de Hussein que apontavam trechos copiados de outros trabalhos. "Não o acusei de nada, apenas mencionei que ele esqueceu o referenciamento."

O episódio de ontem foi o ápice de uma escaramuça que se iniciou logo que a denúncia do plágio cometido pelo grupo de Szanto aflorou। Professores do IF ouvidos pela Folha afirmam que, em um primeiro momento, o diretor prometeu apurar o caso internamente, mas depois tentou criar barreiras à apuração.

Szanto teria tentado encerrar o assunto após atribuir toda a culpa a um único membro de seu grupo, convencendo-o a escrever uma carta de retratação à revista "Physical Review C", que publicou o estudo questionado।

A Folha teve acesso ao documento, assinado pelo físico Nelson Carlin, do grupo de Szanto. "Gostaria de deixar claro que sou o único responsável pela redação e submissão desse artigo" escreveu Carlin. O pesquisador não foi encontrado em sua sala ontem à tarde, quando a Folha o procurou.
Ameaça
O físico Élcio Abdalla, chefe do departamento em que Hussein trabalha, diz que sofreu uma ameaça de retaliação quando ele e outros colegas tentavam encaminhar o caso para apuração na reitoria। "Ele [Szanto] disse para mim que tinha uma caixa de Pandora", afirmou. A retaliação seria a revelação de um dossiê "de 10 a 15 centímetros de espessura" onde afirma que há sete professores do IF envolvidos em cópias de trechos de trabalhos.

Abdalla enviou ontem uma carta à Reitoria pedindo, então, que a contradenúncia também fosse apurada। "No caso de o dossiê não existir fica caracterizada uma denúncia vazia", diz.

Além da Reitoria da USP, o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), responsável pela concessão de bolsas a cientistas, também confirmou que está apurando o caso, mas não se pronunciará por enquanto।

A entidade periodicamente contabiliza a quantidade de artigos publicados por cientistas para avaliar quais merecem receber bolsas de mérito por alta produtividade. Estudos retratados (anulados) por problemas de plágio ou desvios éticos não entram na conta.
Benjamin Gibson, editor da "Physical Review C", disse à Folha que não pode revelar ainda o que será feito do estudo questionado, pois o processo na revista é confidencial।

O grupo de Szanto, porém, já teve um estudo retratado na revista "Nuclear Physics A"। A revista não diz qual foi o motivo da retirada -mas declara que seus casos de retratação se aplicam a "violações de códigos éticos profissionais".

Szanto afirma que o artigo foi anulado a seu pedido। "Quem retratou o artigo fomos nós, os autores", diz. Mais uma vez, disse, um integrante de seu grupo teria redigido e enviado um trabalho a uma revista sem consultar os colegas de grupo.

Aposentadoria
Hussein, ouvido ontem pela Folha, diz que as justificativas de Szanto para negar a acusação não o convenceram।

Iraquiano naturalizado brasileiro e professor da USP desde os anos 1960, Hussein pediu aposentadoria nesta semana, "para conseguir continuar trabalhando"।

Antes de a controvérsia tomar proporção, o professor chegou a pedir ao diretor a permissão para manter uma sala no instituto. O pedido foi negado depois disso. Em julho, Hussein viaja para um período de trabalho na Alemanha.
"Ele diz que se compromete a [continuar a] administrar aulas, que é uma exigência regimental para esses casos, só que ele vai estar no exterior", diz Szanto। "Como ele pode dar aula se vai estar no exterior?"
(Texto integral retirado da Folha de São Paulo / on-Line)

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